Wellington Penalva
15/06/2026
Brava Gente resgata personagens centrais da resistência democrática de 1961
Produzida pelo Centro de Memória Trabalhista (CMT) do PDT, a edição especial da revista Brava Gente sobre os 65 anos da Campanha da Legalidade dedica a seção “Quem é Quem na Legalidade” aos personagens que marcaram a crise política de 1961. Após a renúncia de Jânio Quadros, setores militares tentaram impedir a posse constitucional do vice-presidente João Goulart. A resistência liderada por Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, mobilizou o país em defesa da Constituição e tornou-se um dos episódios mais importantes da história democrática brasileira.
A publicação apresenta Leonel Brizola como o grande articulador da resistência. Do Palácio Piratini, em Porto Alegre, ele transformou o rádio em instrumento de mobilização popular, deu voz à Rede da Legalidade e convocou militares, estudantes, trabalhadores, comunicadores e cidadãos a defenderem a posse de Jango. Ao seu lado, João Belchior Marques Goulart aparece como o centro da disputa: vice-presidente eleito, teve sua posse ameaçada, mas assumiu a Presidência da República em 7 de setembro de 1961.
Entre os nomes fundamentais da linha legalista estão Marechal Henrique Teixeira Lott, autor de manifesto em defesa da Constituição; José Machado Lopes, comandante do III Exército que aderiu ao movimento e fortaleceu a resistência; e Oromar Osório, general que se recusou a cumprir ordens contra Brizola e a Legalidade. A revista também destaca Mauro Borges Teixeira, governador de Goiás, que transformou o Palácio das Esmeraldas em centro de resistência em apoio à posse de Jango.
O movimento estudantil é representado por Aldo da Silva Arantes, então presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), que viajou ao Rio Grande do Sul para participar da mobilização popular ao lado de Brizola. Sua presença simboliza a participação decisiva da juventude e dos estudantes na defesa da legalidade democrática.
A comunicação também teve papel central. Hamilton Chaves, jornalista e chefe da assessoria de imprensa de Brizola, foi quem alertou o governador sobre a necessidade de usar o rádio para propagar a resistência. Lauro Hagemann, radialista e voz conhecida no Rio Grande do Sul, ajudou a fortalecer a Rede da Legalidade. João Carlos Guaragna, radioamador e telegrafista, tornou-se peça importante na interceptação de comunicações estratégicas durante a crise.
A cultura também entrou para a história da Legalidade. A poetisa Lara de Lemos e o ator Paulo César Pereio compuseram o Hino da Legalidade, que deu linguagem simbólica e força emocional à mobilização. Em um momento de ameaça à democracia, a arte ajudou a transformar resistência política em sentimento coletivo.
A revista também registra personagens que atuaram no campo oposto ou em zonas de tensão da crise. Jânio da Silva Quadros, ao renunciar à Presidência, abriu o vazio institucional que desencadeou o impasse. Odylio Denys, ministro da Guerra; Sílvio de Azevedo Heck, ministro da Marinha; e Gabriel Grün Moss, ministro da Aeronáutica, integraram o núcleo militar contrário à posse de João Goulart. Paschoal Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, assumiu interinamente a Presidência durante a crise, mas não se colocou ao lado do movimento legalista.
Outros nomes aparecem como parte das articulações políticas do período. Tancredo Neves e Hugo de Araújo Faria participaram das negociações que antecederam a posse de Jango sob o regime parlamentarista. Já Amaury Krüel é lembrado pela trajetória posterior ligada ao desfecho de 1964, quando rompeu com João Goulart. Cibilis da Rocha Viana, por sua vez, representa a continuidade histórica do Trabalhismo: participou da Campanha da Legalidade, foi signatário da Carta de Lisboa e tornou-se um dos fundadores do PDT.
Ao reunir esses personagens, a Brava Gente mostra que a Legalidade foi mais do que a ação de um líder. Foi uma rede de coragem civil, articulação política, compromisso constitucional e mobilização popular. De Brizola a Jango, dos militares legalistas aos estudantes, dos radialistas aos artistas, cada nome ajuda a contar como o Brasil enfrentou uma tentativa de ruptura e manteve viva a defesa da democracia.
Fonte: PDT Nacional







