Wellington Penalva
07/09/2026
Publicação do CMT reúne discurso de 1935 sobre soberania, trabalho e desenvolvimento
No dia em que o Brasil celebra 204 anos de sua Independência, o Centro de Memória Trabalhista (CMT) do PDT apresenta um documento dedicado aos destinos da nação. É o discurso pronunciado por Getúlio Vargas em 7 de setembro de 1935, na Esplanada do Castelo, no Rio de Janeiro.
A publicação chega exatamente 91 anos depois daquele pronunciamento e em meio às eleições de 2026. A menos de um mês do primeiro turno, os brasileiros se preparam para escolher o presidente da República, governadores, senadores e deputados. Neste momento de decisão nacional, a obra reafirma os compromissos trabalhistas históricos.
Integrante da coleção “Grandes Discursos Trabalhistas”, a nova edição reproduz o pronunciamento de Vargas na íntegra. A apresentação da obra situa o leitor no cenário político, econômico e social em que o documento foi produzido, criando uma atmosfera favorável à compreensão das raízes do Trabalhismo do século XXI.
O Brasil de 1935 atravessava uma reorganização profunda. Cinco anos antes, a Revolução de 1930 havia encerrado o domínio das antigas oligarquias. A industrialização avançava, as cidades cresciam e novos grupos sociais ocupavam o espaço público. No exterior, os efeitos da crise de 1929 ainda abalavam economias e instituições, enquanto regimes autoritários ganhavam força na Europa.
Foi nesse ambiente que Getúlio falou sobre o Brasil. Seu discurso não se limitou à evocação do Grito do Ipiranga. A Independência aparece como uma construção histórica, consolidada pelo trabalho de sucessivas gerações e pela manutenção da unidade política do território. “O ciclo do nosso crescimento apenas se inicia”, afirmou Vargas.
O presidente descreve um país jovem, dotado de enormes recursos, mas ainda obrigado a superar obstáculos econômicos, sociais e geográficos. Getúlio enumera “a enormidade das distâncias”, as diferenças da estrutura geográfica e as deficiências da organização econômica e social. Integrar o Brasil significava aproximar suas regiões, desenvolver suas atividades produtivas e colocar as forças nacionais a serviço de um objetivo comum.
A unidade nacional ocupa posição central no pronunciamento. Vargas conclama os cidadãos a reconhecer que “somos todos brasileiros, irmanados e unidos pelos mesmos deveres para com a Pátria”. O trabalho também aparece como força constitutiva do país. Segundo ele, os direitos de autonomia e independência já haviam sido impostos “pelo nosso trabalho fecundo e pelo sangue generoso dos nossos mártires”.
Ao analisar as dificuldades daquele período, Vargas afirma: “Sofremos uma crise de crescimento, conjugada com os tremendos efeitos da desorganização da economia mundial”. Sua resposta é a confiança na capacidade do país de coordenar seus recursos e definir um rumo para o desenvolvimento.
O discurso foi pronunciado antes da organização política do Trabalhismo brasileiro, que ganharia forma nos anos seguintes. Nele, porém, já aparecem temas que marcariam essa tradição: a valorização do trabalho, a presença coordenadora do Estado, a defesa da soberania, a integração do território e o desenvolvimento como instrumento de transformação social.
Em um ano eleitoral, a leitura desse documento adquire uma dimensão própria. Eleições são momentos em que diferentes projetos de país se apresentam à sociedade. Ao escolher seus representantes, a população também decide quais problemas devem ser enfrentados, quais interesses terão prioridade e qual papel o Estado deverá cumprir.
O pronunciamento de 1935 não oferece respostas prontas para o Brasil de 2026, mas recupera questões que atravessaram o último século e continuam no centro da vida nacional. Como transformar as riquezas brasileiras em desenvolvimento? Como proteger a soberania diante das pressões externas? Como colocar o trabalho e o bem comum no centro das decisões políticas?
Ao publicar esse registro em 7 de setembro, o CMT reafirma que celebrar a Independência também exige refletir sobre seu conteúdo. Em 1935, Getúlio encerrou seu pronunciamento com uma afirmação de confiança: “O Brasil nada teme no presente, orgulha-se do passado, e confia serenamente no futuro!”. Noventa e um anos depois, às vésperas de uma nova eleição nacional, os destinos do país voltam a depender das escolhas políticas de seu povo.
Fonte: PDT Nacional







