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Georges Michel Sobrinho (1942–2025): vida e luta de um gigante do Trabalhismo




Wellington Penalva
27/08/2025

Líder do PDT-DF, exilado político e referência democrática, o pedetista deixa um legado de humanidade

 

Nascido em Goiânia, Georges Michel Sobrinho iniciou sua militância ainda jovem, movido pelo ideal trabalhista e pelo sonho de um Brasil mais justo. Jornalista de formação, enfrentou a ditadura militar de 1964, quando se engajou na luta armada contra o regime autoritário. Perseguido pela repressão, foi forçado ao exílio, vivendo nove anos fora do país — três no Chile, três na Alemanha e três em Portugal.

Em Lisboa, Michel participou da reorganização do Trabalhismo ao lado de Leonel Brizola e também assinou a histórica Carta de Lisboa, documento fundamental do PDT. Ele costumava relatar esse período como decisivo para sua vida e para a história do partido.

Ao lado de Brizola, tornou-se uma das vozes firmes da resistência democrática. Em entrevista concedida à série Trabalhismo na História, produzida pelo Centro de Memória Trabalhista (CMT) da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP), ele recordou a convivência com o líder e companheiro trabalhista.

“O Brizola é uma pessoa, primeiramente, uma pessoa dura. Ele não era conciliador, era uma pessoa dura. Mas, ao mesmo tempo, é uma pessoa amorosa, uma pessoa com muita amizade, uma pessoa com muito respeito ao outro. O Brizola jamais cometeria um desrespeito, uma desavença com um amigo”, lembrou saudoso.

A entrevista citada está disponível no canal do CMT no YouTube e integra o conjunto de registros fundamentais para a preservação da memória trabalhista no Brasil.

De volta ao país no fim da década de 1970, Georges Michel ajudou a fundar o Partido Democrático Trabalhista, consolidando-se como uma das principais lideranças do PDT no Distrito Federal. Presidiu o diretório local por mais de 20 anos e foi seu líder por cerca de 30, sempre apontado como referência ética e ideológica.

Durante os governos de Leonel Brizola no Rio de Janeiro, chefiou a representação do estado em Brasília. Mais tarde, foi secretário do Trabalho no governo de Rodrigo Rollemberg no DF, ampliando sua atuação em defesa dos direitos sociais.

Georges Michel também era conhecido pela vida familiar e pelo lado artístico. Casado, pai de duas filhas e avô de cinco netos, cultivava a pintura como hobby. “Quando ele não estava trabalhando com política, estava pintando, e os quadros que ele deixou servirão como memória dele”, conta a filha Tatiana Michel.

“Meu pai era minha maior referência de conhecimento e de norte na vida. Ele me ensinou a ser uma pessoa boa, ser uma pessoa solidária, ser uma pessoa justa, isso foi o maior legado do meu pai”, completa.

 

O reconhecimento

A partida de Georges Michel provocou manifestações de pesar de lideranças políticas e companheiros de trajetória. “O campo progressista e o trabalhismo perdem um de seus melhores quadros. Georges Michel, que presidiu o PDT-DF por muitos anos, faleceu. Pessoa franca, delicada, corretíssima, de muita firmeza ideológica, fará muita falta na política de nossa cidade”, afirmou o ex-governador Rodrigo Rollemberg.

O ex-senador Cristovam Buarque também destacou sua integridade. “Georges Michel Sobrinho foi um lutador que escolheu a política como sua trincheira e optou por servir sem preocupação de interesse para si. Manteve-se na política por uma causa: o trabalhismo como a bandeira do progresso nacional e emancipação de nosso povo”, afirmou.

Em nota oficial, o PDT-DF expressou “profundo pesar” pela perda e ressaltou que Georges Michel foi “histórico militante trabalhista e referência da luta democrática no Brasil”. O texto destacou que ele se consolidou como “uma das vozes mais respeitadas do Trabalhismo, contribuindo para a preservação da memória histórica e para a renovação das lutas do PDT no século XXI”.

A direção do partido concluiu: “Sua partida representa uma perda irreparável para o partido e para todos os que acreditam na construção de um Brasil mais justo, democrático e soberano”.

 

Última despedida

Georges Michel faleceu na madrugada de 26 de agosto de 2025, aos 83 anos, vítima de complicações respiratórias, pouco depois de receber a notícia de que havia vencido um câncer. O velório ocorreu no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, reunindo familiares, amigos, militantes e lideranças políticas.

Sua morte encerra uma trajetória marcada pela resistência, pela construção coletiva e pela defesa intransigente do Trabalhismo. Seu legado permanece vivo na memória do PDT e de todos aqueles que acreditam na democracia, na justiça social e na liberdade.

Fonte: PDT Nacional

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