Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Ascom senadora Leila Barros
02/09/2025
Advogado destacou que a prática vem sendo construída pelo grupo estelionatário há 20 anos
A CPMI do INSS ouviu, nesta terça-feira (2), o advogado Eli Cohen, responsável por identificar e denunciar um dos maiores esquemas de fraude em empréstimos consignados do país. Em seu depoimento, Cohen detalhou como o Banco Master e outras instituições operavam para lesar aposentados e pensionistas, utilizando contratos falsos, reaproveitamento de documentos sem autorização e depósitos em valores menores do que o contratado.
Segundo o advogado, a engrenagem fraudulenta foi estruturada pelo executivo Márcio Alaor, conhecido no mercado como o “Papa do Consignado”. Alaor, que atuou como vice-presidente do Banco BMG, posteriormente assumiu a diretoria de Benefícios e Consignados do Banco Master e hoje ocupa posição de destaque no PicPay.
“O aposentado é sempre a vítima. O golpe só muda um pouquinho de cara”, afirmou Cohen ao destacar que a prática vem sendo construída pelo grupo há 20 anos.
O depoente revelou ainda que empresas de telemarketing eram usadas como fachada para dar aparência de legalidade às operações.
“Eram contratos de papel, mas pertenciam a um mesmo grupo de pessoas, comandadas por figuras como o Antonio Carlos Camilo Antunes [o ´Careca do INSS´] e Márcio Alaor”, denunciou.
Questionado pela senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), Cohen confirmou que o Banco Master, o Banco BMG e o PicPay estão diretamente vinculados a esse tipo de prática dolosa.
“Esses três bancos certamente estão dolosamente praticando crimes porque foi o próprio Sr. Márcio Alaor que montou os departamentos de consignados”, explicou.
Eli Choen afirmou à senadora Leila que a revogação, pelo Congresso Nacional, da revalidação periódica de descontos associativos nas contas de segurados possibilitou o aumento das fraudes. Em 2022, a Câmara dos Deputados incluiu em uma medida provisória do governo Bolsonaro sobre microcrédito para empreendedores uma emenda que acabou com a necessidade de segurados do INSS reconfirmarem, periodicamente, seu consentimento sobre descontos associativos feitos por entidades diretamente em seus benefícios.
Compra arriscada
O caso ganha ainda mais relevância diante da tentativa do Banco de Brasília (BRB) de adquirir o Banco Master. A operação tem como principal atrativo justamente a carteira de empréstimos consignados. Para a senadora Leila, é inadmissível que o banco público do DF esteja prestes a assumir uma instituição com histórico de irregularidades e suspeitas graves.
“Estamos falando de práticas que lesam diretamente os brasilienses, os servidores do GDF e os aposentados, a camada mais vulnerável da sociedade. É preciso esclarecer os riscos antes de avançar em qualquer negociação”, afirmou.
Fonte: PDT Nacional





