Wellington Penalva
29/10/2026
Na instalação da Eletrobras, desenvolvimento, reformas e democracia compunham o mesmo projeto nacional
Ampliar a produção de energia, fortalecer a economia e melhorar as condições de vida dos brasileiros. Foi com essa perspectiva que o presidente João Goulart celebrou a instalação da Eletrobras, em 11 de junho de 1962, no Rio de Janeiro. Em seu pronunciamento, Jango situou a empresa entre as iniciativas necessárias para que o país avançasse no caminho da independência econômica.
O discurso é tema de mais uma publicação do Centro de Memória Trabalhista (CMT), que dá continuidade à série Discursos Históricos. Com uma apresentação sobre aquele momento e a íntegra do pronunciamento, a edição recupera as ideias que orientaram a defesa de um setor estratégico para o desenvolvimento brasileiro.
Ao homenagear Getúlio Vargas, idealizador da empresa, Jango reconheceu a continuidade de uma luta pela emancipação nacional. Também destacou a atuação dos parlamentares que enfrentaram resistências para aprovar sua criação e o trabalho das equipes responsáveis por organizar a nova companhia.
“Enalteçamos, neste momento festivo, o patriotismo e a visão do estadista que a concebeu, como nosso fundamental instrumento de presença, de sistematização e de incentivo no setor básico da energia”, declarou, ao recordar a contribuição de Vargas.
A dimensão social desse projeto aparece ao longo de todo o pronunciamento. Diante da elevação dos preços, o presidente cobrou providências para proteger a população e estimular a produção agrícola, especialmente a de alimentos. O desenvolvimento precisava responder às dificuldades vividas pelas famílias brasileiras.
“O custo de vida, que continua a elevar-se, está impondo a todos, especialmente às camadas populares, pesados e difíceis sacrifícios. A inflação corrói orçamentos, e, também, destrói esperanças. Uma ação corajosa, enérgica e imediata impõe-se no sentido de providências que visem a estabilizar os preços e defender o valor do cruzeiro”, afirmou.
Jango também denunciou a especulação e a busca pelo enriquecimento rápido como fatores que agravavam as condições de vida do povo. Ao mesmo tempo, defendeu rigor na aplicação dos recursos públicos e a eliminação de despesas supérfluas, vinculando a responsabilidade dos governantes à confiança da sociedade nas instituições.
Era nesse ambiente de confiança que deveriam avançar as reformas de base. O presidente enumerou mudanças nas áreas agrária, administrativa, eleitoral, partidária, bancária e tributária, além da necessidade de enfrentar a questão da remessa de lucros ao exterior. Para ele, essas transformações eram urgentes e faziam parte da reorganização econômica e social do país.
A defesa das reformas vinha acompanhada de um compromisso explícito com a democracia. Jango sustentou que as dificuldades nacionais deveriam ser enfrentadas dentro da ordem constitucional, com respeito às liberdades públicas e à participação popular.
“Temos de mostrar, pela ação, que a legalidade democrática permitirá ao país enfrentar e resolver os seus problemas básicos, pois essa legalidade impedirá, antes de tudo, a subjugação da vontade popular pelos processos da violência, da ameaça e das perseguições”, declarou.
Ao recuperar esse pronunciamento, o CMT oferece à militância, aos estudantes e aos pesquisadores uma fonte para compreender a ligação entre soberania, desenvolvimento e democracia no pensamento trabalhista. Naquele ato de instalação da Eletrobras, a defesa da energia como instrumento de emancipação estava associada ao compromisso de fazer o crescimento econômico chegar à mesa, ao trabalho e à vida do povo brasileiro.
Outros pronunciamentos de João Goulart, Getúlio Vargas e Darcy Ribeiro podem ser consultados na Biblioteca Digital da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP).
Fonte: PDT Nacional







