Por Ester Marques
28/09/2026
Acompanhando o recorde de candidaturas originárias no Brasil, PDT projeta lideranças em cinco estados
“Nada deve acontecer no país sem a presença qualificada dos agentes indígenas”. Essa afirmação de Daniel Munduruku, vereador de Lorena (SP), escritor, presidente nacional do Movimento Indígena do PDT e candidato a deputado federal por São Paulo (PDT-SP), traduz a virada histórica das eleições de 2026: com um aumento de 125% em relação a 2014, o Brasil registra o maior número de candidaturas indígenas da história, segundo dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Acompanhando esse avanço nacional, o movimento lança seis lideranças estratégicas em cinco estados, apresentando propostas plurais que abrangem desde os direitos originários até temas essenciais para toda a sociedade, como saúde, educação de qualidade, cultura e meio ambiente.
De acordo com o levantamento da APIB, o total de postulantes autodeclarados saltou de 85, em 2014, para 191 nestas eleições. A marca atingida doze anos depois representa a maior presença de representantes originários em eleições gerais desde que a Justiça Eleitoral passou a incluir os dados de cor e raça em suas estatísticas.
Seis candidaturas, cinco estados
Em São Paulo, Daniel Munduruku, concorre a deputado federal com propostas voltadas à educação pública, à proteção ambiental, ao fortalecimento das políticas culturais e à ampliação da participação indígena na política. Ao seu lado, Alan Wassú disputa uma vaga na Assembleia Legislativa com bandeiras voltadas à cultura, ao esporte e ao empreendedorismo, com atenção a comerciantes locais, artistas, jovens e crianças.
Em Mato Grosso, Darlene Yaminalo Taukane, liderança do povo Kurâ-Bakairi, concorre a deputada federal levando para a disputa uma trajetória marcada pela defesa da educação, dos territórios dos povos originários e pela valorização dos saberes indígenas. Primeira indígena a conquistar o título de mestre em Educação Pública no estado, também atua na defesa da cultura, do meio ambiente e dos direitos das mulheres indígenas.
Em Santa Catarina, João Roque Kaingang concorre concorre a deputado estadual com propostas voltadas à defesa de uma educação escolar indígena de qualidade, à valorização dos professores e ao fortalecimento das comunidades indígenas do estado.
No Amapá, Kleber Karipuna disputa uma vaga na Câmara dos Deputados com propostas que associam a preservação da Amazônia à geração de renda e trabalho, ao fortalecimento de quem produz na floresta e à ampliação do acesso à saúde, à educação e à conectividade. A candidatura também inclui a defesa dos povos indígenas e investimentos em infraestrutura para melhorar a integração do estado.
No Amazonas, Robério Kambeba também disputa uma cadeira na Câmara Federal com propostas para as áreas de saúde e educação, entre elas a construção de um hospital indígena e a criação da primeira universidade indígena no coração da Amazônia. Também defende a criação de um centro de artesanato indígena e de um espaço de acolhimento para mulheres indígenas vítimas de violência doméstica.
Preconceito ainda é desafio
O crescimento das candidaturas indígenas também esbarra no preconceito ainda presente na sociedade brasileira. Segundo Munduruku, esse cenário muitas vezes dificulta o reconhecimento da importância dessa representação para a construção da identidade nacional.
“Os principais desafios que enfrentamos têm relação direta com o preconceito que ainda existe na sociedade brasileira como um todo, o que impede, muitas vezes, de aceitarem que as candidaturas indígenas são importantes na construção da identidade nacional bem como para a defesa da democracia e da soberania brasileiras”.
Mesmo diante desses obstáculos, as candidaturas indígenas buscam ampliar sua participação na política e levar novas perspectivas para a formulação de políticas públicas. Para Daniel, a diversidade de perfis entre os candidatos abre possibilidades de atuação que vão além das pautas específicas dos povos originários.
“São possibilidades diversas de atuação não apenas para a pauta dos direitos dos povos, mas também para pensar em políticas públicas para todos os brasileiros. Pautas como saúde, educação, cultura, meio ambiente terão cuidado superlativo por esses candidatos e candidatas oferecendo novas possibilidades para a política nacional. São perfis diferentes para pautas semelhantes. Esperamos que nossa presença faça a diferença para a criação de novas políticas públicas para o Brasil”, afirma o pedetista.
Fonte: PDT Nacional







