Wellington Penalva
22/09/2026
Nova edição de Grandes Discursos Trabalhistas aproxima memória histórica e formação política
Depois dos pronunciamentos de 1935 e 1936, a coleção Grandes Discursos Trabalhistas dá continuidade à leitura do pensamento político de Getúlio Vargas com o discurso de 7 de setembro de 1937. Organizada pelo Centro de Memória Trabalhista (CMT) do PDT, a nova edição reúne temas que atravessam essa trajetória, como a valorização do trabalho, o desenvolvimento nacional e a defesa da soberania. A publicação está disponível na biblioteca virtual da Fundação Leonel Brizola–Alberto Pasqualini (FLB-AP).
Vargas pronunciou o discurso na Esplanada do Castelo, no Rio de Janeiro, durante as comemorações da Independência. A apresentação da cartilha situa aquele momento quando o país vivia conflitos políticos. Para contextualizar o documento, o CMT recorreu a pesquisas na Biblioteca Nacional e aos registros do jornal Diário de Notícias, que noticiou a cerimônia na edição de 8 de setembro de 1937.
Ao recordar a formação do Brasil, Vargas relaciona as transformações do território ao esforço de quem trabalha e produz conhecimento. Sua palavra se dirige a diferentes gerações e atividades, reunidas pela participação na vida nacional. “Falo aos meus concidadãos, de todos os quadrantes pátrios – à mocidade cheia de generosas aspirações, aos homens de experiência amadurecida, afeitos ao trabalho e à luta pela existência – falo a todos aqueles que compartilham do nosso destino e, nos campos, nas fábricas, nos laboratórios e gabinetes de estudo, concorrem para engrandecer a nossa civilização”.
Essa compreensão do trabalho acompanha o balanço das mudanças sociais apresentado no pronunciamento. Vargas associa as garantias aos trabalhadores à transformação de instituições que ainda carregavam marcas da escravidão e da concentração do poder econômico. “Pelos benefícios proporcionados ao trabalhador e garantias oferecidas ao trabalho, completou-se a remodelação das instituições, que, sob esse aspecto, ainda refletiam as deficiências do regime anterior, baseado no braço servil e no patriarcado econômico”. O trecho registra a importância atribuída à proteção do trabalho na organização do país, tema central da tradição trabalhista.
O papel do Estado também ocupa espaço nessa interpretação do Brasil. Ao defender que as instituições acompanhem as necessidades da população, Vargas apresenta a administração pública como responsável por organizar e estimular o desenvolvimento. Em seu balanço econômico, aponta o aumento da produção, a expansão do comércio e a retomada dos empreendimentos privados, aos quais associa a ação governamental. Essa responsabilidade coletiva aparece em uma passagem do discurso: “Toda obra do governo é obra de conjunto, de sinergia de esforços, de colaboração no plano do bem público”.
Na política externa, a defesa da soberania se combina com a disposição de cooperar com outros países, especialmente os do continente americano. Vargas afirma que o Brasil não busca impor sua vontade a outras nações e relaciona a defesa nacional à preservação do território. “Por índole e educação, o povo brasileiro é essencialmente pacifista. Nada reclama, além do respeito à sua soberania. Não o inquietam preocupações de hegemonias nem litígios de fronteiras”, afirmou.
O documento aborda ainda o voto secreto, os direitos políticos das mulheres e a representação profissional, medidas que Vargas incorpora à avaliação de seu governo. Suas referências à democracia aparecem ao lado da defesa do fortalecimento da autoridade estatal, no cenário de tensões descrito pela apresentação da cartilha. A leitura integral permite examinar essas formulações em seu contexto e conhecer os argumentos com que o então presidente tratava das instituições e de suas relações com a sociedade.
Ao reunir o discurso e a pesquisa histórica, o CMT oferece uma fonte para a formação política dos trabalhistas e para o estudo da história brasileira. A sequência das edições permite acompanhar como trabalho, direitos sociais, soberania e desenvolvimento aparecem nos pronunciamentos de Vargas. Na biblioteca virtual da FLB-AP, o leitor pode acessar este e os outros discursos e conhecer diretamente as ideias que compõem esse capítulo da memória política nacional.
Fonte: PDT Nacional







