Wellington Penalva
26/05/2026
Publicação já está disponível na Biblioteca Virtual da FLB-AP e reúne documentos, depoimentos e registros históricos
A revista Brava Gente acaba de publicar uma edição especial dedicada aos 65 anos da Campanha da Legalidade, um dos episódios mais importantes da história democrática brasileira. A publicação já está disponível na Biblioteca Digital da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP) e reconstrói os 14 dias em que a mobilização popular, política e institucional liderada por Leonel Brizola garantiu a posse constitucional de João Goulart na Presidência da República.
Produzida pelo Centro de Memória Trabalhista (CMT), a edição contou com apoio da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da Juventude Socialista do PDT (JS-PDT). A publicação reúne artigos, documentos históricos, depoimentos, registros da imprensa, imagens de acervo, perfis de personagens centrais da crise de 1961 e uma cronologia detalhada dos acontecimentos que colocaram o Brasil à beira de uma ruptura institucional.
A Campanha da Legalidade teve início após a renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961. Com João Goulart em missão oficial na China, setores militares e conservadores tentaram impedir a posse do vice-presidente eleito. Governador do Rio Grande do Sul à época, Brizola reagiu a partir do Palácio Piratini, em Porto Alegre, e transformou o rádio em instrumento de resistência nacional por meio da Rede da Legalidade.
Em depoimento histórico reproduzido pela revista, Brizola sintetizou a decisão que marcou sua trajetória e a própria história do Trabalhismo brasileiro: “seja qual for a circunstância, eu fico com a Constituição”.
A edição também traz o relato de Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, sobre as memórias que ouviu do próprio Brizola a respeito daqueles dias. Segundo Lupi, o líder trabalhista recordava a decisão de resistir como uma atitude tomada diante da necessidade concreta de defender a ordem constitucional: “Eu não tinha muita experiência, Lupi. Eu só sabia que precisava resistir. Queria que o Jango tomasse posse, e resolvi mobilizar o povo brasileiro através do rádio”.
Além da atuação de Brizola, a revista destaca a amplitude da frente legalista formada por trabalhadores, estudantes, jornalistas, intelectuais, militares legalistas e lideranças políticas. Um dos documentos reproduzidos é o manifesto do marechal Henrique Teixeira Lott, que conclamou “todas as forças vivas do país, as forças da produção e do pensamento, os estudantes e os intelectuais, os operários e o povo em geral, para tomar posição decisiva e enérgica no respeito à Constituição”.
A participação estudantil também recebe atenção especial. A revista apresenta o papel da UNE na mobilização pela posse de Jango e traz artigo de Bianca Borges, presidenta da entidade, além de texto de Estephany Neves, presidenta nacional da JS-PDT, sobre a permanência do legado da Legalidade para a juventude trabalhista. A presença dessas vozes reforça a dimensão formativa da publicação e a atualidade da defesa democrática.
O material ainda aborda episódios como a ameaça de bombardeio ao Palácio Piratini, a adesão do III Exército à Legalidade, a chamada Operação Mosquito, o relatório da CIA sobre a crise brasileira e o discurso de posse de João Goulart. Ao assumir a Presidência, em 7 de setembro de 1961, Jango reconheceu a força da mobilização popular: “Não há razão para ser pessimista, diante de um povo que soube impor a sua vontade, vencendo todas as resistências, para que não se maculasse a legalidade democrática”.
Fruto de grande trabalho de pesquisa, a nova Brava Gente se apresenta como material de memória, consulta histórica e formação política. Ao reunir documentos e interpretações sobre a Legalidade, a publicação reafirma o papel do Trabalhismo na defesa da Constituição, da soberania nacional e da democracia brasileira.
A edição especial da revista Brava Gente sobre os 65 anos da Campanha da Legalidade pode ser acessada gratuitamente na Biblioteca Digital da FLB-AP.
Fonte: PDT Nacional







