{"id":781,"date":"2025-10-30T21:09:21","date_gmt":"2025-10-31T00:09:21","guid":{"rendered":"https:\/\/pdtrn.org.br\/?p=781"},"modified":"2025-10-30T21:09:21","modified_gmt":"2025-10-31T00:09:21","slug":"carta-das-presidentas-pedetistas-convoca-o-planeta-para-a-causa-climatica-na-cop-30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pdtrn.org.br\/?p=781","title":{"rendered":"Carta das presidentas pedetistas convoca o planeta para a causa clim\u00e1tica na COP 30"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<h3><em><strong>Leila Barros e Duda Salabert lan\u00e7am manifesto como confer\u00eancia da virada de chave<\/strong><\/em><\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A senadora Leila Barros (PDT-DF), presidente da Comiss\u00e3o de Meio Ambiente do Senado Federal, e a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), presidente da Subcomiss\u00e3o da COP30 na C\u00e2mara dos Deputados, lan\u00e7aram a Carta das Presidentas \u2013 A rota de Bras\u00edlia a Bel\u00e9m para a COP30, a COP da participa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>O documento \u00e9 um chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica que destaca o papel do Brasil na lideran\u00e7a global e defende que a COP30, em Bel\u00e9m, seja lembrada como a confer\u00eancia da virada de chave, marcada pela maior participa\u00e7\u00e3o social da hist\u00f3ria. A carta prop\u00f5e uma agenda de justi\u00e7a clim\u00e1tica, transpar\u00eancia e financiamento sustent\u00e1vel, reafirmando o compromisso do PDT com a defesa da vida e do meio ambiente.<\/p>\n<p>Confira Carta abaixo:<\/p>\n<p><em>Por<\/em><\/p>\n<p><em>Deputada Federal Duda Salabert e assessoria*<\/em><\/p>\n<p><em>Senadora da Rep\u00fablica Leila Barros e assessoria*<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Carta das Presidentas: a rota de Bras\u00edlia a Bel\u00e9m para a COP30, a COP da participa\u00e7\u00e3o social<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Quente, frio, enchente, seca, chuvas torrenciais, inc\u00eandios, aumento da dengue e outras doen\u00e7as, ar polu\u00eddo, irrespir\u00e1vel. A ci\u00eancia confirmou: estamos na \u201cera da ebuli\u00e7\u00e3o global\u201d. N\u00e3o se trata mais de ursos polares famintos, mas da sua vida, do seu bairro, da sua conta banc\u00e1ria e da seguran\u00e7a da sua fam\u00edlia. As trag\u00e9dias recentes \u2013 das secas hist\u00f3ricas na Amaz\u00f4nia \u00e0s inunda\u00e7\u00f5es devastadoras no Sul \u2013 provam que a crise n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a distante, mas uma realidade urgente.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 nesse contexto quase dist\u00f3pico que acontecer\u00e1 a 30\u00aa Confer\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a COP 30, no cora\u00e7\u00e3o da Floresta Amaz\u00f4nica, em Bel\u00e9m, no Par\u00e1, durante os dias 10 a 21 de novembro. Dada a relev\u00e2ncia do evento para o Par\u00e1, a regi\u00e3o Norte, o Brasil e o mundo, o Senado Federal e a C\u00e2mara dos Deputados deram respostas \u00e0 altura com, entre outras a\u00e7\u00f5es, a cria\u00e7\u00e3o de Subcomiss\u00f5es presididas, respectivamente, pela Senadora Leila Barros (PDT-DF) e pela Deputada Federal Duda Salabert (PDT-MG), para promover o debate entre o Congresso Nacional e a Presid\u00eancia da COP 30, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por coordenar a negocia\u00e7\u00e3o entre quase 200 pa\u00edses, liderado pelo Embaixador brasileiro Andr\u00e9 Corr\u00eaa do Lago.<\/em><\/p>\n<p><em>De maneira honrosa, refor\u00e7amos que durante a COP 30, pela primeira vez na hist\u00f3ria do Brasil, uma cidade do Norte, Bel\u00e9m, ser\u00e1 a Capital do nosso pa\u00eds. O Projeto de Lei n\u00ba 358\/2025, de autoria da Deputada Duda Salabert, de maneira simb\u00f3lica, coloca Bel\u00e9m como capital brasileira, fazendo com que o Brasil e o mundo tenham mais respeito, temperan\u00e7a e responsabilidade com os territ\u00f3rios amaz\u00f4nicos, a fauna e a flora e com as pessoas que l\u00e1 trabalham, estudam, vivem, est\u00e3o, s\u00e3o. O Projeto de Lei j\u00e1 foi aprovado na C\u00e2mara e no Senado e ser\u00e1 sancionado pelo Presidente Lula.<\/em><\/p>\n<p><em>Al\u00e9m da nossa atua\u00e7\u00e3o no Congresso, estamos determinadas a contribuir para que Bel\u00e9m seja lembrada como a virada do jogo das COPs, sendo reconhecida, desde j\u00e1, como a COP com a maior participa\u00e7\u00e3o social da hist\u00f3ria. Foram milhares de eventos realizados em todo o pa\u00eds, e fora dele, chamados de eventos \u2018pr\u00e9-COP\u2019, em todos os setores da sociedade: no poder Executivo, Legislativo, Judici\u00e1rio, Universidades e Faculdades, escolas, empresas, ind\u00fastrias, movimentos e organiza\u00e7\u00f5es sociais, em formatos in\u00fameros, desde semanas clim\u00e1ticas, como a da Caatinga e do Rio de Janeiro, o Ciclo COParente (articula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena), at\u00e9 eventos e a\u00e7\u00f5es individuais, como o ciclista Leandro Costa que ir\u00e1 do Rio a Bel\u00e9m com sua bicicleta, percorrendo mais de 3000 km. Durante a COP, espera-se mais de 50.000 pessoas, sem falar, por exemplo, da C\u00fapula dos Povos, evento que mostra a import\u00e2ncia e a resist\u00eancia das pessoas e movimentos sociais na luta pelos direitos humanos e ambientais, que reunir\u00e1 mais de 10.000 pessoas no per\u00edodo da COP 30.<\/em><\/p>\n<p><em>Tal participa\u00e7\u00e3o social vai ao encontro da prioridade da Presid\u00eancia da COP neste ano, que \u00e9 conectar os acordos clim\u00e1ticos internacionais \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da vida das pessoas, \u00e0s suas realidades. N\u00f3s, no Congresso, abra\u00e7amos esse chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o e defendemos que a COP 30, em Bel\u00e9m, seja o marco para um pacto pela vida, um acordo para que <strong>nenhuma morte em decorr\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos no mundo e no nosso pa\u00eds seja aceit\u00e1vel. Em outras palavras, que a meta global de adapta\u00e7\u00e3o seja essa: Morte Zero<\/strong>. Conforme nossos antepassados sempre disseram, prevenir \u00e9 melhor que remediar, em todos os sentidos. Al\u00e9m desta prioridade de prote\u00e7\u00e3o da vida \u2013 que \u00e9 nossa obriga\u00e7\u00e3o \u00e9tica \u2013 a Presid\u00eancia indicou uma forma de caminharmos juntas e juntos no que est\u00e1 se chamando de Mutir\u00e3o Global.<\/em><\/p>\n<p><em>Para n\u00f3s, no Legislativo, esse Mutir\u00e3o passa pela democratiza\u00e7\u00e3o da COP, abrindo as fronteiras institucionais da diplomacia para as pessoas que vivem e sentem as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em suas vidas, garantindo a voz dos grupos mais vulnerabilizados \u2013 ind\u00edgenas, quilombolas, mulheres, crian\u00e7as e juventudes, moradores de periferias urbanas, ribeirinhos, idosos, pessoas com defici\u00eancia, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, entre outros, \u2013 com a chamada diplomacia de base, ampliando a ideia do que \u00e9, ou poderia ser, a governan\u00e7a sobre as pol\u00edticas clim\u00e1ticas no pa\u00eds e no mundo e respondendo ao chamado para a a\u00e7\u00e3o. Uma outra forma de democratizar a discuss\u00e3o clim\u00e1tica \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o oficial parlamentar, ou, em termos t\u00e9cnicos, a Constituency Parlamentar no \u00e2mbito da COP, para garantir que as vozes de mais representantes eleitos pelo povo sejam ouvidas.<\/em><\/p>\n<p><em>O n\u00e3o agir tem um custo alt\u00edssimo e \u00e9 voc\u00ea, cidad\u00e3o, que est\u00e1 pagando essa conta. Levantamento da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Munic\u00edpios mostrou que os desastres naturais custaram ao Brasil R$ 732,2 bilh\u00f5es de preju\u00edzos em todo Brasil, em apenas 10 anos. Para se ter ideia, esse valor \u00e9 o equivalente a quase 30 vezes o or\u00e7amento anual de uma cidade como Belo Horizonte. Ainda, a t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, o Bolsa Fam\u00edlia, que beneficia mensalmente quase 21 milh\u00f5es de fam\u00edlias, tem investimento anual de R$ 168,3 bilh\u00f5es. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) destaca que para cada bilh\u00e3o de d\u00f3lares investido em adapta\u00e7\u00e3o contra inunda\u00e7\u00f5es costeiras, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel reduzir em at\u00e9 US$ 14 bilh\u00f5es os danos econ\u00f4micos, o que refor\u00e7a a necessidade urgente de investimentos em adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Por outro lado, investir U$ 16 bilh\u00f5es por ano em agricultura poderia impedir que aproximadamente 78 milh\u00f5es de pessoas passassem fome ou fome cr\u00f4nica devido aos impactos clim\u00e1ticos. Em resumo, investir em adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais inteligente, eficiente e econ\u00f4mico do que remediar.<\/em><\/p>\n<p><em>Para al\u00e9m da quest\u00e3o financeira, a crise clim\u00e1tica atinge a sa\u00fade de forma devastadora \u2013 e quem mais sofre s\u00e3o os trabalhadores e trabalhadoras. Um exemplo s\u00e3o os mais de 2,4 bilh\u00f5es de trabalhadores(as) expostos ao calor excessivo em 2020, tendo causado milh\u00f5es de acidentes de trabalho, que geram transtornos pessoais e mortes, al\u00e9m de preju\u00edzos financeiros aos empregadores. Quem n\u00e3o se recorda das secas de 2024 no Centro-oeste, com queimadas e aumento inimagin\u00e1vel da polui\u00e7\u00e3o do ar, com pessoas vivendo em nuvens de fuma\u00e7a por dias. O legislador precisa estar atento para antecipar e responder \u00e0s demandas sociais. Como o aumento das queimadas \u00e9 algo previsto, protocolamos, no Senado Federal, o Projeto de Lei n\u00b0 3.629\/2024, de autoria da Senadora Leila Barros, com medidas para promover a preven\u00e7\u00e3o aos inc\u00eandios florestais e em demais formas de vegeta\u00e7\u00e3o, reduzir o uso irregular do fogo, garantir a recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa atingidas por inc\u00eandios, qualificar os crimes de inc\u00eandio em \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa e aumentar as penas a eles correlatas.<\/em><\/p>\n<p><em>Neste contexto preocupante, de inseguran\u00e7as e incertezas, a ansiedade das pessoas est\u00e1 aumentando. A American Psychological Association (APA) identificou a ansiedade clim\u00e1tica, que \u00e9 a \u201cansiedade ou preocupa\u00e7\u00e3o com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e os seus efeitos\u201d, presente em nada menos que 68% dos adultos dos Estados Unidos. No Brasil, n\u00e3o temos dados semelhantes, mas a \u201cPesquisa nacional sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: Percep\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as e das juventudes\u201d mostrou que cerca de 85% dos respondentes declaram estar preocupados ou muito preocupados com mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O n\u00edvel de preocupa\u00e7\u00e3o aumenta conforme a idade, passando de 73,4% entre crian\u00e7as de 7 a 14 anos, para 96,9% em adultos com 30 ou mais anos de idade. Certamente, parte enorme dos brasileiros tamb\u00e9m est\u00e1 com ansiedade clim\u00e1tica.<\/em><\/p>\n<p><em>Al\u00e9m de ouvir, respeitar e incorporar as nossas a\u00e7\u00f5es aquilo que os que vieram antes de n\u00f3s nos disseram, ensinaram, tal como os povos origin\u00e1rios do nosso pa\u00eds, como os ind\u00edgenas, n\u00f3s, representantes eleitas, precisamos estar atentas aos avan\u00e7os da ci\u00eancia e aos dados de pesquisas. Esse \u00e9 o caso da pesquisa do Banco Europeu de Investimentos (BEI) que tra\u00e7ou um panorama geral sobre a percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de 13 pa\u00edses latinoamericanos sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, al\u00e9m das expectativas dessas popula\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas para enfrentar os desafios apresentados. A percep\u00e7\u00e3o sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 compartilhada por 90% dos brasileiros, que afirmam que os impactos destas mudan\u00e7as j\u00e1 afetam seu cotidiano. A maioria dos brasileiros (78%) tamb\u00e9m apoia medidas rigorosas e investimentos em fontes renov\u00e1veis, e parte significativa (65%) j\u00e1 sente os efeitos na renda familiar. Em resumo, a pesquisa revela uma ampla aprova\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es governamentais mais rigorosas para combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, indicando a disposi\u00e7\u00e3o social para aceitar mudan\u00e7as pol\u00edticas e de estilo de vida em prol da sustentabilidade ambiental a longo prazo.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Pela transpar\u00eancia e integridade da informa\u00e7\u00e3o sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Apesar da realidade bater \u00e0 porta, j\u00e1 provocando v\u00edtimas, h\u00e1 ainda quem insista no negacionismo clim\u00e1tico. Pa\u00edses fundamentais no enfrentamento da crise que se retiraram do Acordo de Paris, contrariando a posi\u00e7\u00e3o de parte expressiva do seu povo. E h\u00e1 tamb\u00e9m negacionistas no Congresso brasileiro que veem a crise como uma conspira\u00e7\u00e3o, e outros, que negam as consequ\u00eancias clim\u00e1ticas ou financiam a desinforma\u00e7\u00e3o. H\u00e1, no entanto, um terceiro perfil no Congresso, pautado pela \u00e9tica e pela moral \u2013 que preconiza que o Legislativo precisa agir em conson\u00e2ncia com a ci\u00eancia, os dados, fatos, argumentos e saberes tradicionais. No Senado Federal, propusemos o Projeto de Lei Complementar n\u00b0 201\/2024, de autoria da Senadora Leila Barros, que torna obrigat\u00f3rio que todos os projetos de lei incluam uma an\u00e1lise pr\u00e9via de impacto no meio ambiente, mostrando como a proposta pode influenciar o desenvolvimento sustent\u00e1vel do pa\u00eds, considerando aspectos sociais, ambientais e econ\u00f4micos.<\/em><\/p>\n<p><em>Pense conosco. Quem planta para viver ou lucrar, precisa, regularmente, de \u00e1gua, de chuva, e de terra viva. Todos, do pequeno ao grande produtor, s\u00e3o extremamente vulner\u00e1veis \u00e0s secas e chuvas intensas. \u00c9 sabido que as florestas em Terras Ind\u00edgenas e em territ\u00f3rios quilombolas e as Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o extremamente preservadas. Estudo recente mostrou que essa localidade na Amaz\u00f4nia influenciam diretamente as chuvas que abastecem 80% das \u00e1reas agropecu\u00e1rias do pa\u00eds. Ou seja, \u00e9 quase matem\u00e1tico: sem Terras Ind\u00edgenas e florestas em p\u00e9, sem chuva para todos.<\/em><\/p>\n<p><em>Estudo do Banco Mundial aponta que nove em cada 10 eventos clim\u00e1ticos est\u00e3o relacionados \u00e0 \u00e1gua, quer seja por excesso, as chuvas, ou por escassez. \u00c1gua \u00e9 bem essencial, \u00e9 direito constitucional. Neste sentido, apresentamos, na C\u00e2mara, o Projeto de Lei n\u00ba 5.696\/2023, de autoria da Deputada Duda Salabert, para garantir o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel em todas as escolas do pa\u00eds. Parece \u00f3bvio ter \u00e1gua nas escolas, por\u00e9m mais de 1 milh\u00e3o de crian\u00e7as no pa\u00eds n\u00e3o t\u00eam \u00e1gua garantida no ambiente escolar.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Da chancelaria \u00e0 diplomacia de base: a (r)evolu\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m para o financiamento da transi\u00e7\u00e3o justa<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Devemos garantir o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, ou envolvimento com \u201cD\u201d de Demarca\u00e7\u00e3o, Democracia e Diplomacia de Base.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 sabido, contido em relat\u00f3rios internacionais e na experi\u00eancia pr\u00e1tica das pessoas, que a crise clim\u00e1tica agrava as desigualdades existentes: comunidades mais pobres e das periferias urbanas, pequenos agricultores, assim como as pessoas negras, ind\u00edgenas e ribeirinhos, as mulheres, crian\u00e7as, jovens e idosos, sentem mais o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e t\u00eam menos acesso aos instrumentos para resistirem e se adaptarem a este contexto que vivemos. Isso tem um nome: racismo ambiental, racismo clim\u00e1tico. Ou seja, a luta pela a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica \u00e9, tamb\u00e9m, uma luta por justi\u00e7a social, clim\u00e1tica. Como afirmou a Ministra C\u00e1rmen L\u00facia, \u201ca dignidade da vida n\u00e3o \u00e9 escolha, \u00e9 via \u00fanica da humanidade\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>A COP 30 \u00e9, e ser\u00e1 ainda mais, a oportunidade para que estas pessoas possam, diretamente, dizer ao mundo as mazelas que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas t\u00eam gerado em suas vidas, os abandonos hist\u00f3ricos que elas sofreram do Estado brasileiro e as necessidades delas para se adaptarem \u00e0 crise clim\u00e1tica. Essa luta pela supera\u00e7\u00e3o das desigualdades carece de financiamento, mas qual tipo de financiamento?<\/em><\/p>\n<p><em>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica global e a adapta\u00e7\u00e3o para o contexto de crise clim\u00e1tica que vivemos exigem um aumento exponencial do financiamento para a\u00e7\u00f5es, programas e pol\u00edticas, de maneira socialmente justa. O Brasil est\u00e1 engajado em aumentar o financiamento para pa\u00edses do Sul Global, ou em desenvolvimento, para pelo menos US$ 1,3 trilh\u00e3o por ano at\u00e9 2035 \u2013 o que equivale a menos de 2% do PIB global. Seguindo a l\u00f3gica dos dados que apresentamos, conforme estudo do Boston Consulting Group (BCG) e da Universidade de Cambridge, investir esse 1,3 trilh\u00e3o de d\u00f3lares, agora, poderia eliminar a maior parte das perdas advindas das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas previstas para o mundo inteiro. Mas onde investir? Quem precisa desse recurso? Para qu\u00ea? Isso tamb\u00e9m est\u00e1 em disputa na COP 30.<\/em><\/p>\n<p><em>Aqui, como legisladoras, nosso papel \u00e9 assegurar a fiscaliza\u00e7\u00e3o destes repasses para projetos no Brasil, para que a popula\u00e7\u00e3o possa saber como e onde esses milh\u00f5es e bilh\u00f5es est\u00e3o sendo investidos para promover a\u00e7\u00f5es resilientes. Por outro lado, \u00e9 garantir que parte justa destes recursos chegue aos mais necessitados, em todas as regi\u00f5es do mundo que mais precisam de financiamento. Por isso, elaboramos o Projeto de Lei n\u00ba 4.350\/2025, de autoria da Deputada Duda Salabert, que cria o Sistema Nacional de Transpar\u00eancia e Integridade da Informa\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica, como instrumento de diagn\u00f3stico, planejamento, medi\u00e7\u00e3o, monitoramento e avalia\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica.<\/em><\/p>\n<p><em>Ainda sobre o financiamento clim\u00e1tico, \u00e9 importante destacar a necessidade de promover investimentos e recursos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, al\u00e9m dos compromissos nacionais do acordo de Paris, e neste sentido a viabiliza\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de um sistema mundial de controle de emiss\u00f5es e comercializa\u00e7\u00e3o de carbono ganha import\u00e2ncia. No Brasil, celebramos, ao final de 2024, a san\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 15.042, que teve como relatora a Senadora Leila Barros, que instituiu o Sistema Brasileiro de Com\u00e9rcio de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SBCE), criando um mercado regulado de carbono no Brasil, e promovendo o grande potencial do pa\u00eds na gera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de carbono no mercado volunt\u00e1rio internacional. O que representa uma oportunidade \u00fanica de gera\u00e7\u00e3o de renda, inclusive para popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis que prestam grande servi\u00e7o na prote\u00e7\u00e3o dos nossos biomas.<\/em><\/p>\n<p><em>Conforme mencionado na Declara\u00e7\u00e3o dos Ministros de Meio Ambiente do BRICS, \u00e9 preciso desenvolver programas de pagamentos por servi\u00e7os ecossist\u00eamicos de maneira inclusiva e transparente, garantindo a participa\u00e7\u00e3o plena, equitativa, significativa e informada de todas as partes interessadas relevantes, tal como povos ind\u00edgenas e comunidades locais, mulheres e meninas, jovens, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e os setores privado e financeiro.<\/em><\/p>\n<p><em>Tamb\u00e9m defendemos a cria\u00e7\u00e3o de linhas de financiamento para infraestruturas nos locais de trabalho onde h\u00e1 maior sensibilidade ao clima, como catadores de materiais recicl\u00e1veis, motoristas de \u00f4nibus, garis, motoristas de aplicativo, professoras, entre outros, protegendo especialmente os trabalhadores urbanos e rurais mais expostos aos riscos de sa\u00fade. \u00c9 preciso tamb\u00e9m proteger as crian\u00e7as e jovens nas escolas. Por isso, propusemos o Projeto de Lei n\u00ba 2.964\/2023, de autoria da Deputada Duda Salabert, para inserir na Lei de Diretrizes B\u00e1sicas da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDB) a adapta\u00e7\u00e3o das escolas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, por exemplo, com a cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas verdes para plantios, jardins de chuva e hortas, al\u00e9m de promover aulas pr\u00e1ticas de educa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por fim \u2013 e t\u00e3o importante quanto \u2013 Bel\u00e9m, a capital do Brasil<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u00c9 for\u00e7oso reconhecer que chegamos \u00e0s margens da COP de Bel\u00e9m, a mais importante das COPs, com algumas pol\u00eamicas em torno da escolha da nossa sede, inclusive, compara\u00e7\u00f5es com o conforto e luxo de edi\u00e7\u00f5es anteriores. Mas, \u00e9 preciso lembrar que a cabe\u00e7a pensa onde os p\u00e9s pisam. Se os negociadores que vir\u00e3o a Bel\u00e9m para tratar do futuro do nosso planeta n\u00e3o souberem o que acontece nas ditas periferias do mundo, em locais empobrecidos, como saber\u00e3o como vivem os povos brasileiro, colombiano, chileno, sul-africano, indiano, chin\u00eas, ind\u00edgenas e tantos outros?<\/em><\/p>\n<p><em>Talvez essa n\u00e3o seja a COP da implementa\u00e7\u00e3o, como se diz por a\u00ed, mas a COP das verdades, com todas as contradi\u00e7\u00f5es que temos no Brasil e no mundo. Enfim, a COP est\u00e1 nua.<\/em><\/p>\n<p><em>Por outro lado, a roupagem de Bel\u00e9m \u00e9 expl\u00edcita. \u00c9 cidade de sacralidade, do C\u00edrio de Nazar\u00e9, da conflu\u00eancia dos rios com a floresta, dos povos com as culturas, das periferias com o centro, das l\u00ednguas ind\u00edgenas com o portugu\u00eas, do carimb\u00f3, da hist\u00f3ria do Brasil, do escoamento do garimpo e da minera\u00e7\u00e3o ilegal, da fome e das enchentes, da seca e da escassez. Bel\u00e9m, como o Brasil e o mundo, \u00e9 contradi\u00e7\u00e3o, amor e orgulho. \u00c9 patriotismo real, sem xenofobia, \u00e9 desejo de mudan\u00e7a, \u00e9 esperan\u00e7a e utopia. Se a utopia \u00e9 o que nos faz caminhar, caminhemos at\u00e9 Bel\u00e9m, a capital do Brasil.<\/em><\/p>\n<p><em>S\u00e3o autoras(es) deste artigo as seguintes parlamentares e assessores:<\/em><\/p>\n<p><em>Deputada Duda Salabert<\/em><\/p>\n<p><em>https:\/\/www.camara.leg.br\/deputados\/220623 https:\/\/x.com\/DudaSalabert https:\/\/www.instagram.com\/duda_salabert Assessor respons\u00e1vel: Guilherme Tampieri<\/em><\/p>\n<p><em>Senadora Leila Barros<\/em><\/p>\n<p><em>https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/senadores\/senador\/-\/perfil\/5979 https:\/\/twitter.com\/leiladovolei https:\/\/www.instagram.com\/leiladovolei Assessores respons\u00e1veis: Thalis Murrieta e Yoram Zalmon<\/em><\/p>\n<p>\t\t<span class=\"tags-links clearfix\">COP-30Duda SalabertLeila Barrosmanifesto pela COP30<\/span>\t<\/div>\n<p><script async src=\"\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/pdt.org.br\/index.php\/carta-das-presidentas-pedetistas-convoca-o-planeta-para-a-causa-climatica-na-cop-30\/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=carta-das-presidentas-pedetistas-convoca-o-planeta-para-a-causa-climatica-na-cop-30\">PDT Nacional <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leila Barros e Duda Salabert lan\u00e7am manifesto como confer\u00eancia da virada de chave \u00a0 A senadora Leila Barros (PDT-DF), presidente da Comiss\u00e3o de Meio Ambiente do Senado Federal, e a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), presidente da Subcomiss\u00e3o da COP30 na C\u00e2mara dos Deputados, lan\u00e7aram a Carta das Presidentas \u2013 A rota de Bras\u00edlia a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":782,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":{"0":"post-781","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-pdt-nacional"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/pdtrn.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Duda-Salabert-e-Leila-Barros.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pdtrn.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pdtrn.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pdtrn.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdtrn.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdtrn.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=781"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pdtrn.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/781\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pdtrn.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/782"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pdtrn.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdtrn.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pdtrn.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}